domingo, 11 de março de 2007

O tempora! O mores!

Os órgãos colegiados do Ministério Público e da Magistratura ficam em débito com o decoro quando a questão diz respeito a remoções e promoções de seus integrantes. Há décadas, na interpretação do “merecimento” impingido pela Constituição, distorcem a realidade para cultuar o mais desabrido nepotismo. Para tanto, remontam-se regimentos, editam-se dispositivos, vergam-se resoluções, espanca-se a Carta.

Quem merece? Primeiro, familiares e afilhados; depois, os correligionários ou os bem dedicados ao beija-mão. Proteste a ralé, quando há “interesses” a ordem de merecimento é essa; quando não, sobreleva-se a justa eleição do mais antigo.

Criam alguns de nós que os “critérios objetivos” da Emenda 45, o voto público e fundamentado, causariam algum estorvo ao mau costume. Engano pueril! Não é ao que temos assistido.

Tenho que, se o voto não pode ter substrato na benquerença a um ou outro, em igualdade de condições entre candidatos, há profundo desrespeito quando se subtrai voto ao mais antigo.

Na Magistratura, ouvem-se xingaria e lamentos. Talvez fique nisso. No Ministério Público, quero ir além da solidariedade aos que já foram vítimas. Neste ano, haverá eleição para o Conselho Superior. Concito os colegas eleitores a escolhermos conselheiros que publicamente se obriguem a esse debate.

2 comentários:

Anônimo disse...

Caro Juarez, o voto aberto para promoções, remoções e assemelhados (existem outras formas de movimetação, resultado da criatividade de alguns, como, p. ex., a "remoção para destravar comarca") possui um valor, porém. Expõe o que somente a alguns era revelado e da grande maioria escamoteado:os desejos do coração. Afinal, caro amigo, votar não deixa de ser um ato de amor ou de fraternidade. Delvan Tavares

Flavia Medeiros disse...

Sinto-me enlevada perante o blog e seus textos reflexivos da profissão e do zelo para com a insituição. Acabo por trazer para minha realidade um pouco dessa dedicação, um desejo maciço de ser-fazer diferente. Estar atento para qualidade do simples e começar a varredura do "ridículo"(com toda força da palavra) pelo lado de dentro.
A militância deve ser levada a todo espaço, sensibilizando pessoas e realizando mudanças.
beijo!