domingo, 16 de setembro de 2007

Imperatriz sem Império

A imprensa do Estado vem dando ênfase à situação de abandono do Município de Imperatriz e região, principalmente na área da segurança pública, o que, não se pode negar, de fato condiz com a realidade; todavia, esse não é um problema de hoje! Denunciada a nível nacional na III Conferência da Paz no Brasil pelo Ministério Público de Imperatriz, realizada no mês de agosto em Brasília, a saúde desse e de outros Municípios agora também passou a ser destaque na imprensa e alvo de auditoria do Ministério da Saúde. Esse problema também não é de agora.

A bem da verdade, a Imperatriz do Maranhão em nada impera, e todos que lá chegam logo entendem o porquê do desejo tão acariciado de vê-la, finalmente, com a majestade merecida, talvez só viável em um novo Estado, o Maranhão do Sul.

No que tange à Justiça e seu acesso, parece haver nuvens a indicar chuvas de melhoras no Judiciário. Varas novas estão sendo implantadas; Comarcas próximas criadas; prédios estão sendo construídos e ou ampliados etc. Quanto ao Ministério Público o quadro, em geral, é diferente.

Cheguei promovido em “Imperosa” no final de março, com a expectativa de trabalhar numa cidade de mais de 200.000 habitantes, e que passa dos 300.000 quando se trata da grande Comarca, imaginando encontrar, por um lado, problemas complexos, mas, por outro, uma estrutura não vivenciada nas cidades menores por onde já havia passado. Foi quando encontrei a sede das Promotorias numa casa de cômodos bastante modestos, e com um puxadinho ao lado, que, de forma bastante otimista, denominamos de “Anexo”.

E foi dessa forma que iniciei os trabalhos, já começando com o plantão da semana. Descobri, então, no primeiro atendimento (um caso de ajuizamento de ação cautelar para garantir internação de uma criança em UTI), que um dos computadores da Promotoria da Infância era tão ultrapassado que não tinha porta USB, estava ligada a uma impressora das menos modernas e com defeito, e não podia ser ligado em rede com a única impressora laser de toda a Promotoria de Imperatriz, que serve a todos os colegas. Tudo bem, eu ainda tinha um outro computador, um pouco mais moderno, e o notebook. Não obstante, como eram 03:00 h da madrugada e a criança enferma esperava por minutos sagrados para sobreviver e seus familiares estavam aflitos no gabinete aguardando a solução vital, a frustração e angústia de ter que perder mais tempo por recomeçar todo o trabalho em outro computador foram enormes.

No mês de maio, diante das insistentes reclamações dos colegas de Imperatriz, tivemos uma reunião com a Secretária de Segurança Pública do Estado e com o Procurador-Geral de Justiça, oportunidade em que, se faltaram soluções práticas, sobraram promessas.

Da parte do Procurador-Geral, diante de muitas das nossas reivindicações, a resposta foi a de aguardar o término das licitações em andamento.

Pois bem, tirei férias no início de junho, licença paternidade e, após quase três meses afastado, ao retornar à labuta no início de setembro, mais uma vez cheguei justamente numa semana de plantão. Qual não foi minha surpresa! A situação havia piorado. O outro computador da Infância estava há mais de quatro meses no conserto; a impressora filha única continua sendo a única, e como tem que trabalhar em regime de escravidão para 14 Promotorias, tem hora que é ela própria que pede socorro e pára de funcionar. Dessa vez, em pleno atendimento de urgência para garantir internação hospitalar para um idoso, lá pelas 04:00 h da manhã, não podia contar com a heróica impressora e dois computadores.

Bom, após tentar a ressuscitação da impressora filha única que está ligada em rede, sem sucesso, invadi a sala da diretoria e lá consegui imprimir a ação devida, mas não sem a perda de muitos e preciosos minutos para o idoso sem leito de UTI!

O mais lamentável foi ouvir dos demais colegas, ao clarear do dia, que muitos deles também passaram por via crucis semelhantes em seus plantões. Apesar do tamanho e importância da Promotoria de Imperatriz, a majestade parece estar só no nome!

Porém, há uma esperança. Há eleições se aproximando, e toda vez que isso acontece sempre ganhamos algumas coisas...
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Um comentário:

Daniel Licá disse...

vc é promotor de justiça? mora em Imperatriz? pode me poassar alguns e-mails de outros promotores? é muito importante para mim. Obrigado