domingo, 10 de fevereiro de 2008

Releitura


[Colaboração do colega Lindonjonson Gonçalves de Sousa, da Promotoria de Presidente Dutra]


No sitio eletrônico da Instituição, discretamente, se divulgava o dia seguinte como o de encerramento do prazo de inscrições para a composição da lista tríplice ao cargo de Procurador-Geral de Justiça. Liguei para alguém.


― Teremos outro candidato?


A resposta foi longa, explicativa e detalhada sobre o quadro de então; enfim, não haveria o outro candidato (Padre Antonio Vieira não viveu suficiente para saber que nestas bandas não se diz o nome do adversário). Falei:


― Sou candidato.


Silêncio.


― Tenho 10 anos e 20 dias na carreira. Só preciso de colaboração no texto das propostas.


Tive conversas telefônicas com uns 20 integrantes da classe. Campanha se faz pedindo votos. Não havia, passou a existir: do adversário também.


Recebi mais do que pedi.


Só a iniciativa revela a autoconsciência individual, exposta à apreensão sensível da coletividade. A realidade passa a ter outros componentes. Existem entraves e possibilidades. A semente não contém toda árvore. Podemos ter experiências ideais e também a exposição de fractais do que está nas vivências de coletividades maiores.


A liberdade é um exercício continuo. Segundo Rousseau, participa da definição do Ser. “O não poder fazer nada” traduz a melancolia, que é o fracasso do heroísmo, ensina a filósofa gaúcha Márcia Tiburi. Identifica a incapacidade mesmo de manifestar a insatisfação no ambiente apropriado dos espaços destinados a isso.


Sartre, o ideólogo de 1968, o ano de mutação da consciência universal, escreveu que não há necessidade de uma idéia clara a respeito do Outro para que haja uma associação em vivências coletivas, engajadas e históricas.


Isto é muito melhor do que a convivência de velhos Senadores do Império e sua cordialidade ainda sobrevivente.


2 comentários:

Reinaldo Castro Jr disse...

Caro colega Lindonjonson,

Muito oportuna sua escrita neste post.o Ministério Público brasileiro como instituição responsável em garantir o regime democrático deve incentivar o discurso democrático intra muros.
Bons ventos façam surgir vários candidatos ao cargo de Procurador Geral de Justiça e com eles a desinibição em enfrentar um debate de idéias e propostas direcionadas a engrandecer o Ministério Público do Maranhão.

Reinaldo Campos Castro Júnior

Sandro Pofahl Bíscaro disse...

E vc, caro colega Lindonjonson, será candidato?