quinta-feira, 8 de maio de 2008

Morto-vivo


Do colega Marco Antonio Santos Amorim
Promotor de Justiça de Santo Antonio dos Lopes
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Toda vez que se inicia uma guerra, a primeira vítima é a verdade. A frase foi dita por um Senador americano no ano de 1917 e até os dias atuais serve de chavão para jornalistas especializados na cobertura de eventos dessa natureza.
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Assim também parece acontecer na política. Lembro-me do famoso caso Reis Pacheco. Segundo parte da imprensa timbira um “morto vivo” teria dado vitória a determinada candidata em pleito polarizado com o hoje Senador Epitácio Cafeteira. O suposto morto teria reaparecido em momento eleitoral onde nada mais poderia ser feito para reverter a situação do candidato, já bastante desgastado por conta do episódio que no final se mostrou ser falso.
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Sem entrar no mérito da veracidade das informações veiculadas pelos meios de comunicação, apenas referi-me ao exemplo para contextualizá-lo no atual momento vivido pelo Ministério Público Maranhense, em que sete candidatos disputam o cargo de Procurador-Geral de Justiça e onde, infelizmente, a “guerra” parece ter feito, mais uma vez, sua vítima preferida: a verdade.
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No último debate, um candidato deixou no ar que o Ministério Público pratica a nefasta experiência do nepotismo. Ainda naquele dia, o autor da denúncia foi conclamado neste espaço democrático a apresentar a lista dos beneficiados. Quedou-se silente. Sua postura foi questionada por alguns colegas e por outros briosos funcionários do MP. Afinal de contas, se já sabia por que não tomou as providências cabíveis? Se estava em posse da lista, porque não a divulgou? Se conclamou os funcionários a não terem medo, porque não faz o mesmo? Qual a razão de tomar uma atitude somente se eleito?
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A postura do ofendido também reclama questionamentos, afinal, se é mentirosa afirmação, que medidas foram tomadas para reparar os danos causados pela conduta que arranhou, sem dúvida, a moral objetiva da Instituição?
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Até prova em contrário, o Procurador-Geral merece da classe o devido respeito, uma vez que desempenhou com lisura todos os cargos pelos quais passou dentro da Instituição, onde já foi presidente da AMPEM por dois mandatos, Corregedor e Diretor-Geral, além de Conselheiro, dentre outros. Acaso sejam mentirosas as afirmações, Sr. Procurador-Geral, conclamo Vossa Excelência a dizer as providências que tomou a respeito do assunto. Não deixe para apresentar o “morto vivo” quando já não houver mais tempo para faze-lo, afinal de contas o pleito se avizinha.
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Ao candidato Gladston solicito que forneça a lista ou, ao menos, informe se já requisitou a tomada de providências por parte das autoridades a que competem faze-lo.
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Não permitamos que, mais uma vez, a verdade seja vitimizada. Não dentro de um órgão que se propõe a defende-la!
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Um comentário:

Francisco José disse...

Ao que parece...o silêncio, sua companheira inseparável, tornou-se sua algoz agonia. - Lembra bem o presente cronista que a omissão persiste em ser a escolha do denunciante. - Entretanto, como franciscanamente atua o denunciado, que não afeito às luzes, honrosamente, parece já haver instaurado procedimento para averigüação dos fatos típicos a si imputados.
Mais, que ao denunciado, ao denunciante a responsabilidade do sufocante silêncio... como de costume.