sábado, 30 de abril de 2011

Propositivo


Do colega Celso Coutinho, filho, promotor de justiça em São Bento, contribuição para debate, sob o título: “Nas pegadas da Constituição. Nem Bacamarte, nem Javert”.

O texto integral pode ser acessado aqui. Abaixo, apenas alguns tópicos:

“[...]
Para aqueles efetivamente interessados no debate propositivo, estou, apenas, afirmando que podemos e temos que fazer a instituição avançar, modernizar-se, profissionalizar-se, sem, contudo, deixar de reconhecer que tudo que se faça somente é possível em razão de um processo que já vem se desenvolvendo, com erros e acertos, iniciado muito antes de nós, que continua a se desenvolver no presente e que continuará no futuro, quando não mais estivermos por aqui, sempre com erros e acertos. Se partirmos para uma porfia, procurando sangrar o que está à frente, preparemo-nos para a derrocada de todos com, aí sim, a interrupção desse processo que, hoje, mais do que conquistas, é de afirmação.

[...]
O debate proposto pelo colega Sandro Bíscaro, em seu artigo “Palmas no”, é o que precisamos travar no seio do Ministério Público. Refere-se a um dos nossos grandes desafios. Dotar os promotores e procuradores de justiça das condições necessárias para o desempenho eficiente e otimizado de suas atribuições em conformidade à outorga constitucional. Em essência as nossas discordâncias são mínimas, embora existam, o que é perfeitamente normal. Destaco a alusiva às palmas que, a despeito de dar-lhe total razão para o protesto em face das palmas no Ministério Público, divirjo quanto às palmas para o Ministério Público. Para o Ministério Público eu bato palmas, e de pé!

[...]
Nem por isso, devemos deixar de reconhecer que erros são cometidos e sempre serão. Repiso que, apenas, não podemos olvidar os acertos como se fôssemos o vestíbulo da salvação. É um processo que começou antes de nós e que nos perpassará. Precisamos acautelar a instituição da pecha da desconfiança com que alguns de seus membros se entreolham. Pior, ainda, é o olhar de desprezo, às vezes de desdém mesmo, dispensado àqueles que ousam dizer que não é bem assim, que muito pode ser feito com o que se tem, mas que não se pode dar de ombros para as dificuldades. Precisamos discutir aquilo que achamos errado e, não, amaldiçoar quem o cometeu. Se tivermos essa cautela, conseguiremos debater todas as nossas angústias, especialmente as nossas condições de trabalho.

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Do mesmo modo, as ideias do presente não devem ser recebidas com a má vontade de que falei acima, pensando-se que o único intuito é tumultuar ou de que são fora da realidade. Absolutamente, não. O respeito que sustento tem dois sentidos, o de ida e o de volta. Não presta ajuda ao debate, por exemplo, o argumento de que hoje está é bom porque, tempos atrás, não havia nem computador e que se trabalhava era com máquina de datilografar. Se tomarmos como válida essa argumentação, os únicos que terão reconhecida sua operosidade e valor serão aqueles que tinham o bico de pena como instrumento de trabalho.

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Os que já se encontram no Ministério Público há mais tempo devem, também, saber ouvir e creditar o que a nova geração tem a dizer, devem confiar na vontade destes em fazer a instituição avançar positivamente. Precisamos dar continuidade aos acertos e fazer a correção de rotas quando necessária, sem vitupérios contra aqueles que já deram, sim, suas contribuições para a instituição, contra os que ainda estão dando e contra os que querem e irão dar.

[...]
Malgrado, o debate é uma exigência para o aprimoramento do Ministério Público e não labora a favor da instituição quem o obstaculiza seja de qual modo for, inclusive furtando-se a ele ou travando-o com força desmedida, pois, por certo, neste último caso, amanhará, no lugar da peleja de propostas, a disputa pelo posto de guardador da verdade.

[...]
Temos independência funcional, é inquestionável. Mas não para sermos o que bem quiser. A Carta Política conferiu-nos essa independência para atuarmos sem peias na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. A questão que se coloca é que, em nome dessa independência, estamos, algumas ou muitas vezes, deixando de atuar dentro do espaço que nos reservou a Constituição de 1988, para assumirmos a vez de defensor público, delegado, juiz conciliador, psicólogo, cobrador, orientador espiritual, conselheiro enfim.

[...]
Mesmo com os passos sendo percorridos, não devemos nos resignar. A cobrança por parte dos membros do Ministério Público tem o efeito de aguilhão para fazer a instituição avançar. É imperioso cobrar e, principalmente, apresentar-se para o debate propositivo e, não, para refregas de coliseu, colaborando com o aperfeiçoamento das propostas a se dar no entrechoque das ideias.

Nessa direção, estamos com a elaboração do planejamento estratégico - 2012-2016 - batendo às portas, tanto do Ministério Público do Maranhão, quanto do CNMP. Não podemos perder essa oportunidade de ouro para debatermos positivamente o Ministério Público, especialmente o deste Estado, desarmados de rancores, municiados, apenas, de ideias e proposições para aperfeiçoar ou corrigir o que aí está, sempre sabedores de que a caminhada não começou conosco.

[...]
Deve merecer especial atenção a interiorização por regiões de quadros do Ministério Público, em especial a assessoria técnica em moldes semelhantes ao pensado pelo colega José Márcio, em seu Blog “josemarcio.com”, na postagem “uma Matriz SWOT para o Ministério Público do Maranhão”, a quem, aproveitando este ensejo, parabenizo pela belíssima iniciativa de seu blog, que corrobora a necessidade de o Ministério Público assumir de vez a função que lhe foi outorgada pela Constituição de 1988, uma conquista, como já disse acima, de membros que nos antecederam, muitos ainda em plena atividade. Ouvi-los com respeito é um ato de sabedoria.

[...]
Que o debate avance e que propostas surjam sob o crivo de um contraditório inteligente, impessoal, despido de vaidades. O engrandecimento da instituição é o nosso engrandecimento. O contrário não é verdadeiro.”

2 comentários:

Jose Gomes Da Silva, membro eterno do ministerio publico do MA, pois a unica instituicao que acredito. disse...

Prezado Juarez : Uma reflexão sobre o planejamento estratégico 2012-2016 MPE
O tema do momento e: Planejamento estratégico 2012-2016. O farol do símbolo do ministério publico traz a seguinte expressão: ministério publico resolutivo e mais próximo do cidadão. Ve-se, portanto, a primeira preocupação da atual administração da procuradoria geral de justiça em realizar um planejamento estratégico ao ministério publico do estado do maranhão, para atingir o próximo qüinqüênio, vale dizer entre 2012 a 2016. Uma reflexão se faz necessária, será que esse planejamento estratégico produzira algum efeito pratico na vida ou melhor nas atividades do ministério publico? Havera de fato alguma resolutividade nas atividades ministeriais? Estara, de fato, mais próximo do cidadão?
Primeiramente, se faz necessário lembrar que a instituição do ministério publico há mais de uma década realiza os planejamentos estratégicos, planejamentos esses que lamentavelmente permanecem unicamente em textos e livros ou coletâneas elaboradas por membros e servidores da instituição, sem produzir qualquer efeito pragmático. Isto e, não passam de folhas escritas e se sabe que o papel aceita tudo.
A atual administração da procuradoria geral de justiça sabe que esta em vigor um planejamento estratégico elaborado pelo procurador geral de justiça, a época doutor Francisco barros, que resultou na publicação de um opúsculo de mais de 64 paginas e um DVD produzido em 2007 que estabeleceu o seminário Pensando o MP e um planejamento de 2008 a 2011, contextos auxiliares, amplamente distribuído entre os membros do ministério publico e os servidores, mas que permaneceu apenas no papel e nada, absolutamente nada foi feito ou realizado e por que? E muito fácil a resposta, bastando verificar que cada procurador geral de justiça quando assume busca simplesmente esconder ou escamotear as boas idéias de seus antecessores e ate mesmo utilizar essas mesmas idéias mascarando-as como se fossem próprias, sem identificar os direitos autorais.
Planejamento estratégico no ministério publico não e coisa nova, alias, e muito antiga, planeja-se o impossível para não se chegar a lugar nenhum. Todos nos somos bobos da corte, que acreditamos nessa figura de planejamento estratégico, uma vez que escamoteia, esconde, as nossas verdadeiras e atuais situações periclitosas em que servidores e membros do ministério publico exercem suas funções ou atribuições.

sandro bíscaro disse...

Grande Coutinho!.
Legal estartar o debate! É isso aí!
O primeiro encontro sobre o alinhamento estratégico foi muito bom e, se levado a sério, e a cabo, no futuro me associarei a vc nas palmas em pé ao MP mas, por enquanto, não. Não dá para aplaudir a instituição e ao mesmo tempo ouvir as palmas do cidadão imperatrizense que delas se socorre como único recurso para ser ouvido na casa onde deveria ser recebido como majestade.
Forte abraço.
Sandro Bíscaro