quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Capixabas e timbiras

Sete pessoas foram presas ontem (09/11), suspeitas de integrarem um esquema de manipulação de processos e venda de sentenças. Entre elas três desembargadores do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, incluindo seu presidente.

As prisões e os mandados de busca e apreensão foram autorizados pela Ministra Laurita Vaz, do STJ, em razão do sigiloso Inquérito 589.

Seres humanos vestindo a toga, a beca, a farda, o terno, o jaleco, a batina, o hábito, o macacão, o calção ou a tanga estão sujeitos a deslizes, crimes ou holocaustos. A condição primeira é pertencer à raça. Se tiver poder, então, o risco aumenta na órbita do colarinho.

No caso noticiado, demora um pouco para saber a totalidade dos fatos e atribuir responsabilidades. Quem será processado, condenado, absolvido.

A questão que incomoda é saber por tantos ouvidos e ouvir por tantas bocas: “não se espante, não é novidade, nem aqui, nem na china”.

Quanto a juízes e tribunais, como investigar, como apurar, como defenestrar quem exerce um poder quase divino, a quem a maioria teme opor qualquer contrariedade? Quantas trapaças, tramóias, trambiques foram, têm sido e serão chanceladas sob canetas bem pagas e insuspeitas.

O dinheiro da corrupção nunca alimenta um só. Funciona como um castelo de cartas, ou todos se sustentam ou todos caem. Acórdãos são mais caros. Por isso que o cidadão comum ao ser vilipendiado nas manipulações de processos e sentenças não tem quem lhe dê ouvidos. Não é qualquer bilhete ao STJ que vai resultar num inquérito sigiloso. O caminho até lá é tortuoso e impõe calafrios.

No Espírito Santo emergiu a operação “Naufrágio”. Mas o que deve afundar não é a crença na boa e verdadeira justiça, dos bons e laboriosos (humanos) juízes. Deve naufragar a ingenuidade de que ali ou aqui não acontecem certas coisas, com certas pessoas, por certas razões.

Indo direto ao ponto: essa prática flagrada na aldeia capixaba tem algum cacique na tribo timbira?

[Pode parecer uma questão deslocada, mas será que alguém vai ser responsabilizado pelo “espeto de pau”, quer dizer pelas faltas e falhas que levaram à interdição do prédio das promotorias da capital?]
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2 comentários:

gissele disse...

Boa pergunta e boa associação: os desmandos e aberrações no poder judiciário estão além das fronteiras estaduais: acontecem em todos os lugares, e aqui do nosso lado. O que não podemos é achar que isso é normal, embora seja uma prática comum, que acontece com constância. Gissele Coelho. Maranhão São Luis Cocais Cerrado

Aloisio disse...

Sábio Juarez e blogueiros,

Por ser São Luís uma ilha e estar o Tribunal de Justiça situado à Beira Mar, o nome ideal para esse tipo de operação em terras timbiras seria "Maremoto" ou o nada original "Tsunami".
Talvez acerte, talvez não. Talvez o nome seja outro ou talvez essa operação nunca aporte por aqui. Talvez... talvez... talvez...
A certeza que tenho é que sou apenas um cidadão comum e que, embora nunca tenha sido vilependiado diretamente por nenhuma manipulação de processos e sentenças, sei que elas existem em nosso Tribunal.
Não tenho a menor pretensão de dar início a qualquer investigação no STJ ou onde quer que seja. Primeiro porque essas provas materiais são difíceis de se conseguir (os ratos e vermes são espertos e escorregadios), depois, quem me daria ouvidos?? Por fim, alguém tem dúvida que aquele escândalo recente noticiado no Jornal Nacional envolvendo uma ex-diretora do nosso Tribunal vá resultar em alguma coisa??

Um dia fiquei estupefado em saber que nosso Tribunal produziu uma nova profissão: Corretor de Sentenças. Alguém tem dúvida que seus corredores estão cheios deles? Comercializando sentenças, acórdãos e fazendo todo tipo de negociata em troca de muita, muita grana?
Tem uns que inflacionam o mercado e cobram 300, 400 ou 500 mil por sentença favorável. Isso mesmo!! Meio milhão de reais por uma canetada!! Outros são mais modestos e se contentam com apenas 100 mil reais.
Na maioria das vezes o negócio funciona em família, ou seja, o filho é próprio corretor do pai. Quer dizer, o faturamento fica todo em casa!!
Quem é que não sabe em São Luís que aquele playboy dono de concessionária é um dos maiores clientes do nosso Tribunal??

É... meu caro Juarez, diante de tanta podridão, haja crença para acreditar que um dia saiamos dessa triste situação.