sábado, 5 de junho de 2010

Nomes

montagem em desenho de paulo vieira - ori
Silêncio e provocação, e a convivência talvez perdure por falta de opções, ou porque seja mesmo o destino cotado de ambos, que, agora, afivelam desprezos na ponta da língua, instigando qualquer ouvinte a tomar dores em sua guerra particular. Não fosse crime ou pecado, uma arma, e o dedo da morte libertaria a mulher do esmagamento cotidiano, no seu ímpeto de partir ou ficar. Mas a pobreza não lhes permite dividir o pouco sem mais sucumbir, que meia-casa não lhes serve. Além do mútuo desassossego, os filhos entram no pelotão das ofensas, pois, embora crescidos, permanecem em casa, sem as obediências servis, eriçando-se contra o pai. “Ela é por eles”, ataca. “O branquim bebeu com o diabo no couro; cinco homens pra segurar. O morenim já me jurou de morte.” Enquanto ela revolve um contra-ataque, minha alma evapora diante do pai, em cujo coração os filhos nem têm mais nome.

5 comentários:

flor disse...

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Muito triste. Não são problemas incomuns.
Ao contrário, todos os dias algo parecido acontece nas cidades do interior maranhense ou mesmo nos bairros da periferia da capital.
E como se soluciona isso?

Não sei quem disse...


Parabéns pelo texto. Acho excelente a forma linguística e o conteúdo fático destacado. O cotidiano das relações humanas que as profissões do Direito nos fazem deparar dia a dia podem servir aos iluminados para grandes reflexões. Alguns profissionais, como o senhor, tem essa sensibilidade de análise do caso, diante da tristeza pela desfragmentação de famílias em situações de miséria, humilhações etc. Desses textos, procuro sempre tirar grandes lições. Obrigado!

José Cavalcante de Alencar Jr disse...

O "não sei quem disse", na verdade, era e sou eu, José Cavalcante de Alencar Junior.

paulo vieira disse...

oi juarez, tudo bem?
seu texto é muito bom.
não gostei foi dessa interferência no desenho que o ilustra. não que ela seja ruim, mas é que gosto muito do meu desenho original.abç!

paulo vieira

juarez medeiros disse...

Com certeza, Paulo. Seu desenho é expressivo, cativante. Parabéns pelo talento. Boa sorte!