quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Acima do chão

Nesta segunda (06), ao transitar pela Procuradoria-Geral de Justiça, anotando minha indignação com a conduta do Conselho Superior do Ministério Público na sessão de 03/08 e sua prática de atentados explícitos aos sentimentos de igualdade, respeito e justiça, ouvi de alguém da PGJ: “O MP é bem maior que o Conselho Superior”. A frase terminou assim, com um ponto. Ponto para uma reflexão.

De fato, o Ministério Público é uma instituição emergente. Redesenhada a partir da Constituinte, tem absorvido para suas entranhas uma rica gama de operadores do direito, jovens homens e mulheres somando-se a tantos que, ao longo de décadas de purgatório, com denodo, venceram assombrosas dificuldades e construíram esperanças, que muitas vemos concretizadas. A obra, porém, não está finda; ao contrário, há muito mais por fazer.

As fissuras causadas pela insensibilidade de um grupo de conselheiros não podem comprometer a solidez do Ministério Público. Não percebendo que transitam na contramão de alguns valores tão caros ao aperfeiçoamento institucional, escrevem páginas descoradas para seu julgamento pela História.

A sociedade, com seus altos e baixos de descrença nos poderes, tem encontrado no Ministério Público identidade num amplo leque de suas aspirações. E é no labor diário dos valorosos colegas, comprometidos com o melhor de suas vidas para concretizar um ideário de justiça, que o Ministério Público se renova, se reinventa e se consolida; é na busca contínua de parceria com tantos e diversos segmentos da sociedade que ele rompe clausuras e se firma ministério e se reafirma do público.

Olhando para a frente e para o alto, o Ministério Público é enormemente maior que o Conselho Superior. Ainda bem!

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2 comentários:

Teomario Serejo Silva disse...

EINVENTAR. Eis uma palavra capaz de expressar a natural dinâmica do ser humano. Por toda a nossa história construímos e reiventamos, e o fazemos para nos livrar do que é nocivo e ao mesmo tempo para acompanharmos o novo momento.
Se a mudança acontece com os humanos, ocorre também com as instituições por eles INVENTADAS. O Ministério Público Brasileiro nasceu tímido, cabisbaixo e limitado, posteriormente, em conseqüência da insatisfação, coragem, intrasigência e sapiência de alguns Promotores e Procuradores de Justiça, renasceu, foi REINVENTADO, apresentando-se, a partir de 1988, à sociedade revigorado, fortalecido, destemido e respeitado. Orgulho de todos quantos o integram e também da sociedade brasileira.
Mas a dinâmica da vida reclama que haja o acompanhamento da mutação social. Por isso é preciso que todos nós Agentes Ministeriais estejamos vigilantes, não nos calemos ou nos acomodemos apenas com a parte boa, é preciso reinventar a parte que se apresenta doente ou ultrapassada.
A coragem de exigir o certo, de denunciar, de gritar por mudança, às vezes é conceituada como loucura e não raras vezes paga preços terríveis, porém a história revela que foi essa coragem de alguns Promotores e Procuradores de Justiça que ontem REINVENTOU O MP e certamente será a coragem dos Promotores e Procuradores de Justiça de hoje que garantirá o respeito e crédito que o Ministério Público continuará a receber da Sociedade.

paula disse...

Devemos ter ponderação para que ao invés do debate contribuir para o crescimento do MP, não seja uma maneira de enfraquecê-lo. A discussão é válida, porém devemos largar as questões pessoais . Uma coisa é certa, só o debate contribui para o crescimento da instituição, porém não devemos dar oportunidade par que os inimigos do MP cresçam com as nossas desavenças.